02 dezembro 2012

Vem! (nothing last forever)

Just give me one more day!

No começo era incompatibilidade pura, marcada pelo distanciamento. Eu lá na frente, ela lá atrás. 
Entre idas e vindas, as companhias começaram a se tornar em comum. Seus amigos, meus amigos, nada nosso!Ela dizia que eu tinha uma irritante voz de privada. Eu a achava meio metida. Mas nada que uma conversa não mudasse essa opinião. E então houveram vários momentos de conversas, vários bilhetes em papel trocado, várias visitas a casa pós aula e o que era estranho se tornou totalmente natural e habitual. 

O progresso da relação foi surgindo com o tempo. E quando tinha tudo pra se tornar algo memorável, foi ficando pro final e chegou o final do ano e acabou a oportunidade de convívio diário e matinal.
O que podia ter se esvaído, tomou proporções tão grandes, que provou justamente o contrário. 

Fomos acompanhando de bem perto os novos passos que cada um dava pós jornada na escola. Aquele começo perturbado de vida adulta. Namoros estranhos, sogras esquisitas, amigos malucos, crenças perdidas, cachorro-quente gostoso e muitas fotos. Presenciamos tudo bem de perto, sempre reciproco, sempre compartilhado.

Durante minha fase mais importante e marcante de mutação/transição, eu tive que abrir mão de um sonho pra ir em busca de um novo/velho. Então juntos, sentados numa praça de alimentação, resolvemos pegar nossas coisas e sair da cidade atrás do que acreditamos que iriamos encontrar.
Não muito tempo passou e eu fui! Ela não. Mas me deu todo apoio.

Logo ela chegou, de visita - a primeira visita -, foi plantar uma semente, que hoje ela colhe belos frutos. Nesse mês, muita troca. Cumplicidade, honestidade e principalmente diversão. Auto conhecimento, conversas, conselhos, brincadeiras, seriados até amanhecer e um convívio muito saudável e significativo.
Depois nos encontramos algumas vezes em ocasião de reunião dos velhos amigos. O contato era por meio virtual, e cada vez mais foi dependendo dessa interatividade para funcionar.

Não gosto de me sentir pressionado e muito menos cobrado. Tem uma chave dentro de mim que; Ou está ligada no desapago, ou na entrega absoluta. Não há meio termo. Junto a isso a necessidade de nova rotina e a fase que você está vivendo em determinado momento, podem te guiar pra determinadas atitudes, escolhas e opiniões que ao longo do tempo você humildemente percebe que estava equivocada. O que não quer dizer que não era verdade absoluta, e que nem dura pra sempre.

Mas então houve uma quebra nessa relação. Palavras distorcidas, julgamentos precipitados e principalmente falta de comunicação. Aliado a imaturidade, insensibilidade e intrometimentos, não ficou nada. Eu saí andando e não olhei pra trás. Achei que era o certo a se fazer e o fiz. E durante um bom tempo não me perguntei se o que havia feito era certo ou errado. Deixei enterrado pra não ter que refletir.
Você também se calou. E ai o vazio ficou.

Mais tarde você tentou me procurar e conversar e resolver. Isso eu não posso negar. Acontece que o assunto ainda estava guardado num lugar que eu não queria fuçar. Eu tava vivendo novas aventuras que me faziam crer que o que eu tinha era o suficiente, e o que eu já tive e perdi, tava perdido e não voltava mais. Eu tava decidido.

Durante anos eu ouvia raramente sobre você pela boca maldosa alheia. Devido a fonte da informação e o conteúdo desta, continuei ignorando, não me interessando e o tempo foi passando.
Esse ano completa 10 anos que você me deu uma caixa de All Star com bandanas, chocolates, cartas e tudo que eu gostava. Foi nesse ano que eu tive que abrir todas as gavetas desses últimos tempos e revisitei todas as memórias; alegres, engraçadas, as tristes e os meus erros.
Você foi embora porque eu te deixei ir, eu te disse Vai.

E agora eu to aqui contando com que o mesmo tempo que demorou para nos aproximar da primeira vez, seja o mesmo tempo que vai nos reaproximar dessa vez. Ao invés de vai, eu quero dizer Vem! Nada dura pra sempre. Isso serve pra mágoa, rancor, imaturidade e arrependimento.

A mesma personalidade mutável que  uma hora te expulsa, noutra te implora .
Se acerta comigo?
Eu já perdoei qualquer mal entendido e toda e qualquer atitude de ambos.

To querendo muito um chá quente, um pãozinho e várias conversas.

Será que os ventos se equalizam?

3 comentários:

  1. Olha, se não estou querendo e transbordando essa fala para alguém "A mesma personalidade mutável que uma hora te expulsa, noutra te implora .
    Se acerta comigo?"
    É inimaginável não se identificar!
    Adoráveis linhas e entrelinhas que leio por aqui.

    BeijosEstalados! ;*

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  2. Irritante voz de privada... ahahahahahahahahahahahah

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  3. Q história linda.. e perfeitamente contada.

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